Pequenos e Teimosos

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Pequenos e Teimosos

Mensagem  estreladomar em Sex Ago 29, 2008 12:29 pm

Pequenos e Teimosos
A coerência é a chave para a educação.

Cada criança tem a sua forma de lidar com as situações que a angustiam ou que a assustam. Por vezes, o seu desagrado é expresso através de atitudes de teimosia, que muitas vezes acabam por resultar em birras. Tal ocorre sobretudo a partir dos 2 anos de idade e a permanência desses comportamentos depende da forma como os pais lidam com eles. Na maioria das vezes os pais não sabem como reagir a estas situações, acabando por actuar de formas que irão consolidar os comportamentos inadequados das crianças, ao invés de os controlar. É muito importante que, à medida que as crianças crescem e começam a compreender as ligações entre a sua acção e a consequência que é gerada, os pais saibam estabelecer regras e limites. Muitas vezes as crianças têm acesso directo à punição, sem que antes lhes tenha sido explicado o porquê de não poderem ter determinada conduta e aquilo que é esperado delas.

Um círculo vicioso

Diversas vezes surgem círculos viciosos de relacionamento entre os pais e a criança, difíceis de quebrar. Um comportamento negativo da criança gera uma resposta inadequada dos pais, seguindo-se um novo comportamento impróprio e nova resposta negativa dos pais. Estes círculos são representativos de uma dificuldade por parte dos pais em lidar com as birras e com a teimosia da criança. A coerência é a chave para a educação. Mesmo que por vezes seja mais fácil para os pais ignorarem determinado comportamento, devem ter consciência de que estão a abrir um precedente e a ser incoerentes. A criança irá aprender que o poderá fazer mais vezes sem qualquer punição, o que tornará muito mais difícil explicar-lhe o porquê de tal não ser permitido. Isto não significa que não possa ser dada à criança uma segunda oportunidade, que não haja negociação ou que não lhe seja permitido errar. No entanto, qualquer alteração à regra e sempre que o castigo anteriormente prometido não for aplicado, deve ficar bem claro o porquê e o seu cariz excepcional deve ser sublinhado. Estas questões são muito importantes, uma vez que, se não forem bem explicadas e compreendidas, poderão originar um enfraquecimento de todas as regras colocadas e uma crença de que se insistir muito consegue sempre o que quer.

A coerência é importante

A questão da coerência é importante, por exemplo, no que se refere a bater na criança para a castigar. Os pais dizem-lhe que não deve ser agressiva nem bater nos outros e ao mesmo tempo castigam-na com uma palmada? A criança sentir-se-á injustiçada e não compreenderá essa contradição, desvalorizando o que os pais lhe dizem que está certo. No entanto, a disciplina não implica apenas punições quando a criança faz algo que não deve fazer. Ao mesmo tempo que deve ser deixado claro o que não deve ser feito, também deve haver uma recompensa (que pode ser um simples elogio) para a boa conduta da criança. Tal levá-la-á a sentir-se reconhecida e nada melhor do que dedicar à criança todos os dias momentos de atenção positiva para evitar, por um lado, chamadas de atenção inadequadas e, por outro lado, para criar oportunidades de interacção positivas e agradáveis para a criança. É muito importante que a criança perceba concretamente aquilo porque está a ser recompensada. O mesmo deve acontecer no que se refere às más condutas, ou seja, a criança deve compreender muito bem qual o motivo que despoletou a punição e quais são as alternativas correctas.

A atenção

Estes comportamentos são, por vezes, formas de chamar a atenção dos pais, uma vez que qualquer criança prefere a atenção que lhes é dada por um comportamento inadequado do que a ausência de atenção. Se os pais observarem melhor as suas crianças, perceberão que grande parte da sua teimosia está relacionada com o seu crescimento e com o delimitar da sua individualidade e ideias próprias. Esta é uma fase importante para que desenvolva a sua autonomia e teste os seus limites.

Alguns exemplos e sugestões:

Se insiste em vestir uma roupa inadequada: separe duas ou três roupas possíveis e deixe que a criança escolha dentro dessas hipóteses aceitáveis;
Se recusa tomar banho: faça do banho um momento divertido e tente perceber se há algo que a assuste, como a água ou o champô nos olhos ou na cara;
Se não deixa os pais conversarem com outras pessoas: pare um pouco a conversa e dê-lhe atenção ou deixe-a participar também;
Se não quer ir para a cama: leia-lhe uma história ou negoceie com ela uma hora para ir para a cama (não compensa entrar em conflito por dez minutos);
- Se quer dormir na cama dos pais: nunca o deve permitir, fique um pouco com ela no quarto, leia-lhe uma história ou converse por alguns minutos;
Se não aceita um não: explique-lhe o porquê do não, mantenha-se tranquila e ignore a birra, repetindo de vez em quando que já lhe explicou o porquê do “não”; o seu controlo ajudá-la-á a recuperar o dela;
Se diz palavrões: como a criança repete o que ouve, é importante ter cuidado na linguagem usada na sua presença; não se limite a repreender, explique porque é feio dizê-lo e que as palavras podem magoar tanto como uma palmada.
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